segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Bastian Midow - Linnus





Resgate do Lobo



“Não façam barulho, a menos que queiram ser presos e decapitados.” - alertou sussurrando Robert, O Covarde. Eu e meu parceiro, Linnus, suamos frio e acenamos com a cabeça em concordância. “O objetivo é pegar a chave sem serem vistos e soltar Lobo, por isso não precisam derrubar ninguém. Certo?! Jamais precisarão disso se forem como a sombra, todos sabem que está lá, mas é como o ar que respiramos: imperceptível, até que o foco esteja nele.” - despedindo-se.
Fomos ansiosos e cautelosos permeando, tendendo a oriental da muralha. Deparando com o paredão de armações bem rebocadas de madeira, pedras e aço; também em punho. Este brilhando ao som de Maestrin, Águas do Sono; onde sabíamos da possibilidade de se ter apenas um escudo.
Aqui é uma área de difícil acesso, passa o rio veloz a jusante e a mata alta encobre até perto dos quadris, bem como cães selvagens famintos aos arredores. Deixavam os pobres coitados como o primeiro sinal de alerta, não antes de serem treinados.  Realmente só os que não dão valor a vida se arriscariam escalar deste lado, o lodo que margeava alguns desenhos feito pontas de lança, de rocha, pareciam mortíferos ao fulgor calmante alaranjado da lua. Bom, ao menos pode este ser um raciocínio figurando a fiança que nos era imposta.
Mas ainda tínhamos uma boa caminhada pela frente: “Ei! Como a gente vai fazer pra despistar o guarda?” - perguntei intrigado. Ele parou me olhou e repetiu o que o Covarde disse, me motivando a não ser visto e não fazer mais perguntas. Mesmo assim retruquei: “Mas a gente não tem uma segunda opção?”. - claro, não tinha percebido qual trilha estaria tomando. Irritado, - pulando uma vala na vereda - continuou  : “Não vamos precisar se formos pego. Então se concentre em não morrer”.
Fiquei com mais receio ainda. No entanto, fiz que estava tudo sob total controle ajeitando minha postura para uma confiante. Ajudou em minha concentração, com certeza.
Passamos com certa tranqüilidade pela mata e pelo rio. Tivemos que cuidar de alguns cachorros selvagens, também sem maiores problemas. Não pense que os matamos, somente fizemos o nome do rio valer para eles.
Estavam a uns duzentos metros, nos fundos se encontrava a milícia. 



1


Esgueiraram-se entre as árvores, grandes pedras e o que mais desse cobertura. Enfim, chegaram. Linnus foi na frente e parou na orla do rio, onde sorrindo soltou os cães na água que serpenteava como uma flecha embriagada. Segurou a corda com ganchos, tinham camadas em tiras de pano enrolados firmemente no ferro. Entreolharam-se com aprovação e um brilho infantil lumiou no olhar do moleque vergado. Levantando, o olhar modificara, como se fosse obrigação do outro saber aquilo. Pediu que ficasse vigiando o guarda.
Ao meu sinal ele jogou a corda. Lá de cima fez o mesmo. Cheguei com a cabeça ao topo, vi o guarda um pouco longe para quem está perto. Esperamos o momento oportuno e subimos rapidamente. Nos escondemos atrás de uma grande balestra, onde o gancho mordera. Ele parecia saber sua localização, pois foi quem guiou e disse qual era o melhor lugar para escalar. 
Olhando dentro da fortaleza retangular vi que estava calmo, como previsto. No centro havia uma estátua de um homem montado em um cavalo brandindo uma espada para o alto. O lugar parecia uma vila comercial, mas ao invés de casas eram celas. No centro, um prédio de dois andares. Grandes janelas, em cima e em baixo, com grades espessas marcavam a fronte. Certamente era ali que Lobo estava.
Dando cobertura, um paro o outro, desceram cautelosos. Um homem barbado, num traje meio enferrujado meio couro, escudo redondo de madeira nas costas, espreguiçava-se. Estava rondando a  passagem para um corredor do casarão, e outro andava pelas vielas; distraindo-se vez ou outra com seus pensamentos. Combinamos que ficaria ali fora, caso precisa-se de um aviso. Deveríamos ter um tratamento especial se algo saísse fora de controle, mas quase sempre numa situação dessas era cada um por si.
Com a gente era diferente, desde os dez anos que conhecia aquele bicho. Não largaria às pontas aguçadas meu amigo que por vezes me tirou de encrenca.
Faltava pouco para os guardas trocarem o turno, ao menos era o que achava. Estava um pouco frio por ser final de inverno, mas nada que nossas roupas quentes não desse conta. Demorou muito ou mais, e lá foi o vigilante que caminhava verificando as celas render o outro em frente a porta principal. Lá ficavam os presos que aguardavam julgamento.  



2



Era hora de agir, fui à esquina do quarteirão mais próximo da passagem. Passando entre carroças de feno, barris e caixas, me posicionei mais próximo ainda para um golpe estratégico. Pensava em derrubar o guarda parado e arrastá-lo para dentro de uma das celas que havia deixado aberta logo atrás. Onde estava um dos presos dormindo e roncando feito um porco.
Um estilhaço de luz bateu em meus olhos antes da ação e procurei por um momento. Mal vi Linnus nas grades das escuras janelas acima do guarda. Me fez sinal para que ficasse onde estava. Intranquilo por ter acabado com minha diversão, poderia ter mostrado meu valor. Porém, era o melhor a ser feito naquele momento. Afinal, iria ter que pegar o outro guarda antes que ele desse o alarde, sem contar os guardas da muralha.
Olhando mais de perto, dava para perceber que o corredor não era bem iluminado depois de uma curva a esquerda. “Vupt!” – Suavemente uma sombra descansou atrás do guarda descendo da grade, caminhou graciosamente para dentro do corredor e sumiu. Ali fiquei...

 “A terceira porta à direita depois da curva... É aqui!” – pensativo. Tirei minhas ferramentas e escolhi a mais apropriada para a ocasião. Chequei a possibilidade de um virote sair dali, ou algo do tipo. Alguns segundos e... “Voilá”. “Não é que funciona mesmo” – sinicamente. Depois de tanto tempo essa sensação continuava sendo animadora. Fui até ele e tapei sua boca com cuidado. De reflexo abriu os olhos assustados, meio desesperado, sem saber o que estava acontecendo. Coloquei vagarosamente o dedo indicador na vertical encostando na boca. Logo se acalmou. Entendendo a situação levantou me acompanhando fora da cela. Encostei a porta. Próximo a curva pedi que esperasse um pouco.
O guarda estava onde eu queria. Sentado em um barril encostado na parede fumando uma cigarrilha, que devia ser de péssima qualidade, pois fedia fumo barato dos gnomos.
Duque continuava no mesmo lugar. Usei o espelho novamente chamando sua atenção.
Fiz sinal de positivo quanto a Lobo. “Pedi” que ele distraísse os guardas e lá foi ele...

Voltando pelas caixas, barris e carroças, fui direto ao estábulo. Soltei o maior cavalo que pude encontrar, dando-lhe um cutucão com a ponta de minha adaga. O bicho saiu a todo vapor pelas ruas da milícia. Me evadi do local tão rápido quanto ele. Corri, escondendo dos olhos dos sete guardas das muralhas que nos cercavam, aos poucos voltaram-se para o incidente. O guarda que estava parado perto do Linnus deu alguns passos à frente para entender melhor a situação, soltou alguns risos ordenando: “Jubert vá pegar o cavalo do capitão antes que ele acorde!” - Ordenou. “Esse cavalo idiota vive escapando... Ou esse idiota que prende o cavalo que não o faz direito” – Resmungou para si. Ficou atento como um guarda da milícia deve ficar.
Os que estavam observando de cima também riram vendo o outro correndo como um camponês atrás de uma galinha. Depois do acesso, eles retomaram sua carranca de soldado e começaram a observar aos arredores. Nesse meio tempo, Linnus agia...            



3

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